educação financeira começa na infância

Educação financeira começa na infância

Ferramenta eficaz para apresentar a realidade financeira para as crianças, a mesada pode ajudar na formação de adultos economicamente conscientes

A dificuldade em guardar dinheiro e se planejar em meio às despesas muitas vezes é passada de geração para geração como uma cultura familiar, já que os filhos se espelham no exemplo dos pais. De acordo com o educador financeiro do Centro de Desenvolvimento Pessoal e Empresarial (Cedepe), Julio Becher, uma solução para ajudar na quebra deste desequilíbrio é dar uma noção econômica às pessoas desde pequenas. Uma ferramenta eficaz para apresentar essa realidade financeira para as crianças é a mesada. “Quanto mais cedo a criança tem contato com dinheiro, melhor é a sua educação financeira. É importante que desde pequena a pessoa entenda que dinheiro tem limites e é necessário poupar para comprar algo que se quer”.

A orientação dos pais é fundamental na construção de uma educação financeira. Para adotar a mesada é preciso entender algumas peculiaridades e cuidados. Primeiramente, é necessário explicar que todos os gastos com a saúde, educação, alimentação e vestimenta das crianças são deveres da família. A mesada deve ser usada para gastos supérfluos dos pequenos, como a vontade de comprar um brinquedo ou algo que eles desejam muito.

Outra preocupação é de tentar introduzir as restrições orçamentárias à vida da criança de forma lúdica e progressiva. Os pais precisam dar uma quantia que caiba no orçamento deles e que possa ser aumentada gradualmente com o passar do tempo. Já as crianças e adolescentes, precisam entender que o objetivo é saber qual o valor do dinheiro e que ele tem fim.

Uma dúvida recorrente é a partir de que idade se deve dar mesada para uma criança. Segundo a psicopedagoga do Centro Universitário dos Guararapes (UniFG), Mireilly Moura, entre sete e oito anos,o ser humano começa a desenvolver um conceito mais aprofundado de quantidade e essa é a fase ideal para se introduzir gradativamente o dinheiro. Antes disso, a mente da criança funciona por meio de coisas concretas. “Precisamos pensar que cada criança se desenvolve de uma forma diferente e é essencial que os pais avaliem, antes de começar esse contato com o dinheiro, se a criança tem o conceito de quantidade formado. Caso ele não tenha essa distinção, é possível fazer o contato com a ideia de poupar por meio de um chocolate, por exemplo. Só mostrando que ele pode comer um e guardar o outro para mais tarde”, esclarece.

Caso nunca tenha dado mesada quando pequeno, nunca é tarde para começar a introduzir esse tipo de ferramenta na educação financeira familiar. Quando esta criança se torna um adolescente, é muito importante o uso da mesada, pois irá prepará-la ainda melhor para os desafios financeiros da vida adulta. Mas, quanto mais velha, maior deve ser a responsabilidade do beneficiado.

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